quarta-feira, 22 de junho de 2011

Reflexões sobre o pó

A Liga - (21/06/2011)
Crack


Esqueça tudo que você aprendeu nas aulas da faculdade de jornaliso, e passe a viver a notícia. Esta foi a edição do A Liga que mais me causou turbulências ao analisá-lo. Aquilo que teoricamente mostraria mais uma reportagem sobre os usuários, se tornou na maior experiência social. O consumidor de crack não é um criminoso, é um doente, e precisa de cuidados.

Mesmo assim, Rafinha Bastos e Sophia Reis deixaram o preconceito de lado, mas não esqueceram o medo. Rafinha teve a difícil missão de acompanhar o "Treze", codinome que Pedro se auto intitulou nesta sociedade das drogas. Treze vive nas ruas, a droga o fez perder os amigos, a família, e até hoje o faz perder o dinheiro.

Quase 24 horas ao lado de Treze, Rafinha andou de lá pra cá, conversando com o jovem, desde o momento em que ele consegue um emprego, até o momento em que o dinheiro é usado para comprar o crack. Mas não acaba por aí, Rafinha está do seu lado até na hora que ele fuma a pedra.

Uma realidade do jornalismo que nem sempre é mostrada ao telespectador. A situação do drogado que de longe é um impecilho em nossas ruas, de perto é a imagem de alguém que não quer morrer daquele jeito, mas está preso pelo vício. Minha análise hoje do programa A Liga será exemplificada hoje com os próprio integrantes do programa.


Treze não só surpreendeu Rafinha Bastos, mas todos que usaram o microblog para comentar o programa. É claro que o assunto já está saturado, mas o tratamento agora é outro, o jornalista não só faz a notícia, mas a vivencia. A aproximação com a notícia está maior ainda, os jornalistas conseguiram sentir a situação do Treze, e o programa decidiu então levá-lo à uma clínica de reabilitação.


Enquanto isso, Sophia Reis estava na Cracolândia, ao lado das usuárias de Crack, sem medo e com apenas uma ideia em mente, preciso levar a matéria ao meu editor. A barreira entre o entrevistado/sujeito, entrevistador/acusador foi quebrada, a antropologia começa a ganhar forças dentro do jornalismo.


A Liga e o Treze mostraram ao Brasil todos os dilemas do usuário de Crack. O sofrimento causado pelo vício, a destruição física e emocional causada em quem sofre com este mal e a vida pelo pó, a ambição em querer sempre adquirir o Crack. Talvez este programa, entre todos analisados, foi aquele que mais incentivou a reflexão social.

O programa também contou a história daquele que se recuperou, esqueceu o vício e se tratou. Mas antes de ser levado à força para a Clínica, sob ordem da família, muitos eletrodomésticos foram vendidos e o medo instaurou na família de Robson. Após terminar o tratamento, o programa acompanhou seu retorno para sua família, a emoção levada ao público.

Mas nada se compara à mostrar a notícia como ela é. Trabalhar com o público a ideia da antropologia é uma saída que o jornalismo pode usar para ganhar credibilidade. Seria falta de ética do programa mostrar como Treze consegue dinheiro e rapidamente compra Crack, ou seria falta de ética esconder essa facilidade ao acesso para a população?

No Youtube:
Parte 1: http://youtu.be/35YdFK8OF3Y
Parte 2: http://youtu.be/u_Jg3Z4jZgA
Parte 3: http://youtu.be/nQvkeJ5Wrgk
Parte 4: http://youtu.be/ExPoMGg4Eds
Parte 5: http://youtu.be/KpF5vTGg5PQ
Parte 6: http://youtu.be/nEOBAfWsQ3g
Parte 7: http://youtu.be/AOH_wcKvouc
Parte 8: http://youtu.be/My-C58pCRFg

Eduardo Guimarães

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