quarta-feira, 22 de junho de 2011

Agulha hipodérmica - literalmente


Fantástico - (19/06/2011)
Médicos e dentistas fraudam plantões para receber sem trabalhar

A reportagem do Fantástico do último domingo (19) já começa com forte apelo ao público: uma denúncia que revela práticas ilegais com os impostos que cada um paga. E pior, envolvendo poderosos que abusam de seus poderes no exercício de profissões da área da saúde, um velho problema no Brasil. A reportagem especial mostra na narrativa os mais de 70 profissionais da saúde investigados em São Paulo, num esquema “cruel” que deixa a população sem atendimento médico diariamente.

Logo no começo da reportagem, é feita uma intervenção do repórter para conseguir material de prova sobre o que eles vão falar: a escuta de telefonemas autorizadas pela Justiça. Se não bastassem os áudios, ainda foi feita uma simulação com atores sobre a situação narrada, de um suposto médico, sob baixa luminosidade, atendendo ao telefonema aparentemente dentro do consultório, com as vestimentas características da profissão. Na mesma semana que foi exibida a reportagem, alguns médicos, dentistas e enfermeiros já haviam sido presos, pois a investigação feita pela polícia já havia começado há mais de um ano. Na segunda exibição de telefonemas, as imagens agora foram feitas por câmeras ocultas, por dentre um dos hospitais envolvidos no caso. Na medida em que nomes e mais nomes apareciam, algumas imagens de arquivo também foram utilizados, para ilustrar a situação narrada. Infográficos também são usados, com nome, cargo, e a quantia em reais recebida pelos profissionais. A reportagem também usa de uma testemunha para confirmar as acusações da polícia, com manipulação de voz e imagem refletiva pela sombra na parede. A equipe também flagra um momento dramático em que uma senhora passa mal na fila do hospital, e diz ter sido mal atendida, o que agrega maior indignação a quem assiste à reportagem. Mais câmeras escondidas são utilizadas para acompanhar os passos de alguns médicos que não comparecem aos hospitais onde tem vínculo, sob a forma de render audiência e gerar polêmica – e mais problemáticas. A equipe chega a filmar o estacionamento do hospital de Vila Nova Cachoeirinha da janela de um apartamento próximo dali, para acompanhar de perto se o cirurgião dentista Tarley de Barros cumpre a carga horária de trabalho a qual está registrado no Cadastro Nacional, o qual controla o destino do dinheiro público. E nada do dentista aparecer. Sorte ou obra do acaso? Em seguida, um dos produtores da reportagem chega a pagar uma consulta com uma das médicas envolvidas, e com câmera escondida e microfone, forja o assunto polêmico em uma sala fechada, aparentemente sem a interferência de ninguém. A “vítima” é assim coagida, e revela que não trabalha na cidade de Sorocaba da qual recebe. Câmeras ocultas obrigam o jornalista a mentir. E, segundo o artigo 307 do Código Penal, a falsa identidade é crime previsto em lei. O repórter que se passa por outra pessoa, além de enganar a fonte, trair princípios éticos. Com autorização da justiça, mais telefonemas foram vistoriados pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, e exibidos em rede nacional com narração quase folhetinesca do locutor da reportagem.

No final, é mostrado alguns dos desfechos da investigação. As prisões foram anunciadas naquela semana, e a voz aos advogados foi dada. Alguns se manifestaram, alguns não. O secretário de saúde do Estado de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, afirma que a obrigatoriedade do ponto eletrônico está sendo estudada, e que será implantada à curto prazo. Por fim, a equipe vai atrás da senhora de 56 anos com Mal de Chagas que disse ter sido mal atendida no Hospital de Sorocaba. A filha dela finaliza a reportagem com um desabafo: “Eles não ficam doentes. Quando ficam, pagam particular. Pobre não pode pagar”. Ao vivo, a apresentadora Patrícia Poeta anuncia a demissão do secretário de Esporte, Lazer e Juventude, Jorge Pagura, acusado de também receber dinheiro sem trabalhar.

É clara a intenção da reportagem de causar alvoroço, indignação e provocar o Estado para que sejam feitos investimentos na fiscalização do dinheiro público. O processo que a produção do programa cria é o de analisar uma investigação da polícia sob o âmbito da especularização da notícia, e na exploração de dados e imagens para ilustrar os fatos. De uma forma, isso é importante para que, de uma forma hipotética, os telespectadores se mobilizem a exigirem uma “limpa” nesses profissionais corruptos. Profissionais estes que estudaram anos e anos para ocuparem aquela posição. E olha que nem estamos falando dos políticos, aqueles que roubam mas que foram colocados pela população em seus devidos cargos.

No Youtube:
http://youtu.be/15nZYRDOxQ4

No Twitter:
@pam_michetti Esse dentista Tarley q tá sendo preso no Fantástico é prof lá da Uniban.Cansou de furar a fila e passar na minha frente no quiosque do café.
@miryanlucia Engraçado.. tanto politico ganhando sem trabalhar e o Fantastico perde tempo falando de Dentista.. ¬¬... aff
@oliviecki gente! esses plantões pra dentista bem pagos no fantástico, poooh! tbm quero. mas vou trabalhar pq pretendo ser honesto.

@eloiluis Indignação! Essa matéria do Fantástico aponta a fuleragem que reina no Brasil. Dentista recebendo R$ 49.000,00 sem trabalhar...
@deividmartins A cirurgiã-dentista responsável por apurar irregularidades não aparecia no trabalho. Isso é Brasil #fantástico

Leandro Sena

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