
Fantástico - (12/06/2011)
Elefantes brancos desperdiçam o dinheiro do contribuinte
Jornalisticamente, metáforas são utilizadas para o espectador construir identidades e cenários por meio de comparação. É assim que o Fantástico do dia 12 começou, ao anunciar aquela que seria a sua principal reportagem do dia – e dos últimos tempos, arrisco-me a dizer. “Elefantes Brancos” na história antiga era um presente que reis davam aos seus súditos que não queriam bem. Esses animais ocupavam espaço e não serviam para nada. Do mesmo modo, obras gigantescas existem por todo o país, mas estão inacabadas e não beneficiam população nenhuma. Elas estão espalhadas por todo o país, e o Fantástico se propõe a apresenta-las, pelo alarde sob a ótica do interesse público.
O viaduto no Tatuapé, em São Paulo, é ambientado na reportagem como uma obra inacabada que, ao invés de solucionar os problemas de trânsito no local, ocupa um enorme espaço sem funcionar de fato. O trânsito caótico é mostrado, e a solução está bem ali, debaixo da cabeça dos motoristas pra quem quer ver. Obras com iniciais estimativas de gastos menores do que os atuais, uma realidade que se alastra por todo o país – o que de fato não deve ou pode ser uma unanimidade. Em Porto Velho, Roraima, a situação é pior: seis obras inacabadas. Em um tom cômico, a reportagem segue relatando diversos casos por todo o país, com a ajuda de um recurso sonoro parecido com som de circo, e com infográficos que mostram na parte inferior a figura de um elefante branco em movimento. As brigas políticas de cada região são mostradas como “culpadas” pelo abandono de obras, através do depoimento de um produtor cultural de uma das cidades mostrada. Dinheiro e descaso estavam em jogo, uma situação caótica que mais uma vez o Fantástico se propõe a denunciar, sob a forma de alarde e esperando-se explicações e/ou providências por parte do Estado. A “bomba” é sempre jogada à população, que discorre sobre os assuntos no outro dia e que nem sempre vai adiante.
Um hospital gigante e inacabado em Cuiabá é mostrado, sob o drama das famílias que aguardam atendimento médico e ficam instalados em lugares deploráveis graças à falta de espaço nos prontos-socorros da região. O que deveria ser uma solução, acaba por se tornar um problema sem cura – com o perdão do trocadilho: o governo do Estado alega que o hospital está ultrapassado para abrigar doentes. A repórter se arrisca a penetrar por entre o escuro prédio, e depara-se com morcegos por entre os corredores inacabados. Ela se assusta com a situação, e até mesmo grita de espanto. Necessário? Em outro caso, um aluno anda quilômetros para estudar, e chega a passar mal quando consegue chegar ao local. Tudo sobre as lentes das câmeras. Os tribunais de conta municipais e estaduais são acusados por um membro da ONG “Transparência Brasil” de não fiscalizarem, apesar de em alguns setores a situação ter melhorado. Em São José dos Campos uma situação só seria engraçada se fosse mentira: um teatro municipal de São José dos Campos que foi feito pelo contrário. Nesse momento, surge na tela duas atrizes que encenam uma tragicomédia do caso, no cenário que ficou conhecido como “O Teatro do Absurdo”. Mais uma vez a pergunta: necessário?
A reportagem segue com um tom de leveza na denúncia. É clara a insatisfação que o telespectador assiste à reportagem, mas de uma maneira proposital, é impossível não achar aquilo tudo engraçado. Absurdos que comovem e, definitivamente, entretem. Soluções não são propostas, e o que vemos enfim é a simples exposição de uma cômica problemática. “Só tropeçamos quando pensamos megalomaniacamente”, diz um entrevistado na última fala da matéria. Megalomania, eu digo, é imaginar que os telespectadores não tem a grandeza suficiente para distinguir realidade de ficção. Para mim, a impressão que a reportagem deixa é mesmo de que tudo aquilo é tão absurdo que nem ao menos deve ser verdade.
O viaduto no Tatuapé, em São Paulo, é ambientado na reportagem como uma obra inacabada que, ao invés de solucionar os problemas de trânsito no local, ocupa um enorme espaço sem funcionar de fato. O trânsito caótico é mostrado, e a solução está bem ali, debaixo da cabeça dos motoristas pra quem quer ver. Obras com iniciais estimativas de gastos menores do que os atuais, uma realidade que se alastra por todo o país – o que de fato não deve ou pode ser uma unanimidade. Em Porto Velho, Roraima, a situação é pior: seis obras inacabadas. Em um tom cômico, a reportagem segue relatando diversos casos por todo o país, com a ajuda de um recurso sonoro parecido com som de circo, e com infográficos que mostram na parte inferior a figura de um elefante branco em movimento. As brigas políticas de cada região são mostradas como “culpadas” pelo abandono de obras, através do depoimento de um produtor cultural de uma das cidades mostrada. Dinheiro e descaso estavam em jogo, uma situação caótica que mais uma vez o Fantástico se propõe a denunciar, sob a forma de alarde e esperando-se explicações e/ou providências por parte do Estado. A “bomba” é sempre jogada à população, que discorre sobre os assuntos no outro dia e que nem sempre vai adiante.
Um hospital gigante e inacabado em Cuiabá é mostrado, sob o drama das famílias que aguardam atendimento médico e ficam instalados em lugares deploráveis graças à falta de espaço nos prontos-socorros da região. O que deveria ser uma solução, acaba por se tornar um problema sem cura – com o perdão do trocadilho: o governo do Estado alega que o hospital está ultrapassado para abrigar doentes. A repórter se arrisca a penetrar por entre o escuro prédio, e depara-se com morcegos por entre os corredores inacabados. Ela se assusta com a situação, e até mesmo grita de espanto. Necessário? Em outro caso, um aluno anda quilômetros para estudar, e chega a passar mal quando consegue chegar ao local. Tudo sobre as lentes das câmeras. Os tribunais de conta municipais e estaduais são acusados por um membro da ONG “Transparência Brasil” de não fiscalizarem, apesar de em alguns setores a situação ter melhorado. Em São José dos Campos uma situação só seria engraçada se fosse mentira: um teatro municipal de São José dos Campos que foi feito pelo contrário. Nesse momento, surge na tela duas atrizes que encenam uma tragicomédia do caso, no cenário que ficou conhecido como “O Teatro do Absurdo”. Mais uma vez a pergunta: necessário?
A reportagem segue com um tom de leveza na denúncia. É clara a insatisfação que o telespectador assiste à reportagem, mas de uma maneira proposital, é impossível não achar aquilo tudo engraçado. Absurdos que comovem e, definitivamente, entretem. Soluções não são propostas, e o que vemos enfim é a simples exposição de uma cômica problemática. “Só tropeçamos quando pensamos megalomaniacamente”, diz um entrevistado na última fala da matéria. Megalomania, eu digo, é imaginar que os telespectadores não tem a grandeza suficiente para distinguir realidade de ficção. Para mim, a impressão que a reportagem deixa é mesmo de que tudo aquilo é tão absurdo que nem ao menos deve ser verdade.
No Youtube:
http://youtu.be/rPAEkZv62tY
No Twitter:
@o_xato A matéria do fantástico sobre elefantes brancos, poderia ter mostrado o Teatro de @Uberlandia que não inaugura nunca
@benevides Obras inacabadas revelam desperdício de dinheiro público http://t.co/t2RlsPz #G1 -- Cuiabá de novo em rede nacional
@lucinhaga Na reportagem do Fantático: elefantes brancos, faltou o metrô de Salvador a maior afronta ao cidadão contribuinte...
@Aline_Juh São viadutos, hospitais, escolas, teatros.. Elefantes brancos desperdiçam o dinheiro do contribuinte #Fantástico http://t.co/H7jruSL
@lindafaissal Boa a matéria do Canellas sobre os elefantes brancos. Só esqueceram o nosso Centro de Excelência.
@FlaviaElainePVh É os elefantes brancos de Porto Velho,servindo de roubos para estes corruptos,de merda!E eu não paro de pagar Darfs!!
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