quarta-feira, 25 de maio de 2011

O sonho da casa própria

Profissão Repórter - (24/05/2011)
A Batalha pela Casa Própria

O Profissão Repórter do dia 24 de maio aborda a temática da casa própria. A felicidade de quem consegue, a luta para pagar, as dificuldades do imóvel entregue sem as devidas condições de moradia e, introduzindo a questão de igualdade social, os caprichos das mulheres que trabalham na construção civil.

O episódio funciona como um Serviço de Atendimento ao Consumidor, no qual dá dicas de pagamento, financiamento, melhor compra, como reclamar e as táticas dos vendedores. É também um episódio que demonstra a igualdade das mulheres na construção civil que, em muitas casos, se saem melhores do que os homens no quesito capricho e responsabilidade. O Profissão Repórter da segunda quinzena de maio traz quatro histórias diferentes sobre o mesmo assunto, a aquisição de um apartamento. São famílias e casais emocionados que batalham para adquirir um imóvel em parcelas que duram até 25 anos ou que chegam ao número de 300 vezes.

O marketing de venda também é abordado em sua forma mais crua. “Sentou na sua mesa ali, é como se fosse o último cliente da sua vida!”, afirma um vendedor. “Agora é ir pra cima dos clientes. Vender! Vender!”, destila um outro. Entretanto, como já dito, este episódio funciona como um SAC, dando dicas como “o comprador deve pesquisar, antes, se a consultora é confiável”. Tantos planos e dicas tornam este episódio mais leve do que os anteriormente analisados, até mesmo quando mostra um casal que ao comprar o primeiro apartamento, negocia entre si a questão do matrimônio.

No Rio de Janeiro, a obra é das mulheres, que são consideradas mais caprichosas que os homens, tanto como pedreiras quanto como engenheiras. “O acabamento delas dá de 10 a 0 no dos homens”, afirma o engenheiro responsável de um canteiro de obras. O capricho exaltado no programa é refletido nos cuidados pessoais que as operárias têm: unhas pintadas, lápis nos olhos e sorriso no rosto. A experiência da obra também é levada para casa. Este é o ponto alto do programa, no quesito emoção. É quando a realidade invade a casa dos telespectadores, ao mostrar que as mulheres dos canteiros possuem uma dupla rotina de obras, tanto no serviço quanto em casa. As operárias corrigem problemas ocasionados por pedreiros, homens, que não capricharam no serviço em suas casas.

O ponto baixo é a fraca presença dos focas. A maior parte das entrevistas é comandada por Caco Barcellos em um episódio que é, visivelmente, menos arriscado. No feirão de venda, os jornalistas em formação acompanham, por fim, o cansaço dos vendedores no terceiro, e último, dia de vendas. Em três dias, 5.700 imóveis foram vendidos em Belo Horizonte. Por fim, o programa mostra as famílias que não conseguiram realizar o sonho da casa própria e anuncia, em seu site, dicas para comprar um imóvel financiado, a partir de um bom negócio, retomando o caráter de jornalismo informativo que o episódio assume desde o começo.

No Youtube:

No Twitter:
@georgesousa Assistiram o profissão reporter ontem? começando a trabalhar vou guarda um troco p/ comprar meu apê! nunca tinha refletido quanto e caro!!!
@alexfrachetta O Profissão Repórter de ontem foi ótimo e obrigatório para profissionais do mercado imobiliário: http://glo.bo/k5Ly4S
@verpauloborges O Profissão Repórter de ontem detalhou as condições para adquirir um imóvel pelo programa Minha Casa Minha Vida.
@marcelovictorl Ques programas ruins são esses de terça feira da Globo, fora o profissão reporter, lógico. Tenho até medo de falar: saudade Cassetae Planeta.
@Daniel_Zarour Profissão repórter dando lição de vida, faz a gente dar mais valor ao que já temos e queremos adquirir. Parabéns ao Caco Barcelos e equipe
@dudugoo Profissão Repórter não foi legal!

Lincon Zarbietti

Irremediáveis recursos


Fantástico – (22/05/2011)
Prefeituras desviam dinheiro de remédios para população


O Fantástico desse último domingo (22) mostrou em mais uma matéria investigativa o funcionamento de um esquema de corrupção envolvendo remédios e prefeituras de vários estados do Brasil. Mais uma vez, a intenção é denunciar, com os mesmos recursos utilizados na matéria sobre a merenda escolar: dramaticidade, construção de um parecer geral sobre o sistema público de saúde, e o uso de recursos um tanto ortodoxos para conseguir agregar veracidade à informação noticiosa: as câmeras-escondidas.

O dominical Fantástico da Rede Globo utiliza um padrão de reportagens que se configura por semelhanças entre si, na efetivação de conceitos e recursos visuais. Nessa reportagem em especial, vemos claramente o repasso de informações oficiais da polícia, e uma busca quase desesperada de obter informações exclusivas. O programa utilizou de uma investigação feita há mais de dois anos para reunir o maior número possível de depoimentos próprios e material de prova de terceiros para elaborar a reportagem, com base nos preceitos de investigação jornalística.

Contrariando quaisquer procedimentos éticos da profissão, o repórter Giovanni Grizotti chega ao ponto de se passar por um funcionário da prefeitura local para assim conseguir arrancar a confirmação da fraude pelas palavras do vendedor da cirúrgica Erechim, sede de outras distribuidoras de remédios no Sul do Brasil. O funcionário é coagido pelo repórter, com perguntas maliciosas, a fim de deixar o entrevistado à vontade para oferecer propina e propor um esquema de divisão de lucros pela fraude. O “flagra” ocorre em plena luz do dia, com imagens bem nítidas e um som perfeito. Tudo foi armado esteticamente para compor a abordagem, com a câmera instalada de forma a focar o vendedor mais próximo possível. O microfone provavelmente era de altíssima potência, para conseguir captar tão bem o que era falado na conversa entre os dois. Alguns dias depois, o vendedor é preso e, outro repórter da TV local, aborda-o no momento em que estava sendo levado pela polícia. O jornalista pergunta se ele tem algo a dizer, pois existe uma gravação que comprova sua ação em oferecer propina à um suposto funcionário da prefeitura. A questão é: houve autorização judicial para, uma empresa privada como a Rede Globo, forjar um flagrante para consolidar a denúncia? O jornalista aí usa um disfarce e ilude o funcionário da empresa envolvida, tal como faz com o público receptor: uma relação muitas vezes obscura na ótica do espectador do caso.

Os demais recursos utilizados na reportagem tornam-se comuns e rotineiros na construção de uma visão singular do acontecido. De forma geral, mais uma vez se emprega na estética do programa o recurso das câmeras escondidas para agregar informação ao trabalho jornalístico. Porém, nesse caso fica clara que a finalidade de seu uso não foi puramente estética, como no caso da merenda escolar, mas sim de ordem suplantada de sua função social: a de funcionar como guardiã da segurança e prezar pelo zelo do bom funcionamento dos recursos oriundos do Estado, quase como uma polícia. A situação mostrada se repete em todo país, e mais uma vez a reflexão deixada pela reportagem se perde no ar pela impunidade dos culpados e a falta de sugestões para que haja uma maior fiscalização e atendimento a todos que necessitam desses recursos. O que vemos é a exposição de maus exemplos, que só nos desperta um lamento irremediável – sob um preço bem alto, acima do mercado.

No Youtube:
http://youtu.be/caKYM5i6-ck

No Twitter:
@bill_marques Ninguem vai comentar sobre a Mafia dos Remedios aki em #portovelho! Materia do Fantástico...ou Pvh so tem festa!
@J_lucaz Luis Alves no fantástico! A cidade onde eu nasci sendo lugar de corrupção. Farmacêuticos vendem remédios que deveriam ser de graça.#vergonha
@soavinski Que nojo senti pela denuncia dos corruptos envolvidos com a Máfia dos Remédios domingo no Fantástico na Rede Globo.Prisão é pouco
@sitedocorrea A face da desesperança daquela senhora mostrada pelo Fantástico, vai povoar os pesadelos de auem roubou dnheiro dos remédios dos pobres

Leandro Sena

De qual liberdade estamos falando?

A Liga - (24/05/2011)
Liberdades Individuais

Apenas para informações técnicas, o programa A Liga é exibido todas as terças à partir das 22h15, na BAND, e como diz o próprio texto de resumo do programa, disponível em seu site:

Para contar uma história sob a perspectiva de quem a vive só há um jeito, ir ao encontro dela. Comum seria não interferir e normal, nada sentir, não vivenciar. Mas não é isso que querem os apresentadores do programa. Eles tocam na realidade, olham de perto. Ao Participarem de um mundo do qual nunca fizeram parte, a indiferença vai embora. A cada passo, o envolvimento do repórter - assim como a do telespectador - aumenta. Entram em cena a surpresa, a indignação, a reflexão e a opinião.


Esse é um dos principais métodos que diferencia o programa dos demais 'produtos jornalísticos' da Tv brasileira, a linguagem dinâmica e objetiva. Talvez por ser um programa produzido por pessoas mais jovens, e inicialmente pensado também para pessoas mais jovens. Assim, a simplicidade na maneira de tratar e transmitir as suas ideias tornam o programa mais leve, mesmo quando levam à sociedade temas mais pesados.


Nesta terça-feira, 24, o programa trouxe para a casa do telespectador mais uma série de temas polêmicos, legalização do aborto, legalização da maconha e o casamento gay. Resumindo, as nossas liberdades individuais. Mas será que temos nossa liberdade individual? O que é essa liberdade individual debatida no programa?

Rafinha Bastos, Sophia Reis, Thaide e Debora Vilalba foram atrás de pessoas que pudessem nos falar um pouco mais sobre o casamento gay, Toninho e David (que antes de iniciar o relacionamento de 21 anos com seu atual parceira, estava casado há 10, com uma mulher), trouxeram para o público as dificuldades que homossexuais enfrentam para conseguir adotar uma criança até as dificuldades de colocar o parceiro como dependente no Imposto de Renda. Jean Willys, professor, deputado e militante da causa também deu seu parecer à favor da união, sempre com o embasamento legal, no sentido da lei, para mostrar que pequenas palavras que acabam trazendo essas complicações.

Complicações que se tornam complicações de saúde pública em outro tema tratado no programa, a legalização do aborto. O programa mostrou o caso de Adriana, uma jovem que ao se envolver com um homem casado foi obrigada, pelo amante, à abortar a criança, aos 4 meses de gestação. Ao procurar uma clinica clandestina para efetuar o serviço, surgiu algumas dores e foi atrás de um hospital público. O médico descobriu então que injetaram na veia, e em seu órgão genital, doses de algumas substância que seria chumbinho ou formol. Casos como esses da Adriana acontecem diariamente, mas não é essa a intenção do programa, de saturar a mente do ouvinte com sensacionalismo barato, a intenção, como eles mesmos dizem, é a reflexão. "Será que uma mulher pode ter o direito de tomar as decisões sobre o seu corpo, ou a decisão deve ser do Estado?"

Talvez a ética jornalística seja deixada de lado, ao se distanciar do acontecimento e tratar da forma mais imparcial possível. A intenção do programa é entrar a fundo na história, não deixando de ser imparcial e tentando sempre mostrar os dois lados da moeda. O programa nos mostra visões diferenciadas em cada situação, desde o primeiro casal gay que foi ao cartório registrar a união, após decisão do STF, até senhores que repudiam esta situação, entre eles um que disse ainda que homossexuais mereciam morrer "para limpar o mundo". Acreditem, existem pessoas que pensam assim, só não assumem em rede nacional.



Entre os entrevistados, um grupo de mulheres da Igreja Católica, que durante o programa foi vista como vilã por alguns, criaram a ONG Catolicas Pelo Direito de Decidir, grupo que assim como todos que são a favor da legalização do aborto, não defendem a chacina aos fetos, mas tornar isso algo dentro das leis nacionais. Sempre mostrando os dois lados, também entrevistam aqueles que são contra a legalização, que alegam o medo do aborto virar a "casa da mãe joana".

Sobre a legalização da maconha, alguns entrevistados se mostram receosos com medo de todo mundo começar a usar e tornar má influência para crianças, por exemplo. Mas existem aqueles que se tornam a favor por fazer seu uso medicinal, como é o caso do José, que por mais de 20 anos usou a maconha para controlar os efeitos da asma, e por 13 para diminuir as complicações da AIDS, que acabou contraindo. Lobão, músico, critica a postura do governo de proibir a maconha, mas liberar o cigarro e a bebida, inclusive na televisão. Por outro lado, um consumidor de bebida alcoolica entender que os malefícios da maconha são piores que os da cerveja. Mas um terceiro entrevistado indaga "O que mata mais, a maconha ou o alcool?".

Uma discussão sadia que o programa se propões sempre mostrando os dois lados. Enfim, imparcialidade é o grande poder do jornalismo que A Liga leva ao público brasileiro. A intenção do programa não é ser sensacionalista, é chocar, sim, mas da maneira menos assustadora. Abrindo os olhos da sociedade, e mostrando que existem pessoas que pensam das diversas maneiras, e pode estar ao seu lado. Esta crítica não chega nem aos pés da necessidade que você tem de assistir ao programa. Os links estão logo abaixo.

No Youtube:

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A banalização da morte

Profissão Repórter – (17/05/2011)
Investigações Policiais


O Profissão Repórter do dia 17 de maio abordou e acompanhou o dia-a-dia das investigações policiais de homicídio em São Paulo e as ações de uma força-tarefa de Recife, uma das cidades mais violentas do país, criada a fim de dinamizar as investigações. Em São Paulo, Caco Barcellos acompanha o experiente repórter Valmir Salaro, que tem mais de 25 anos de reportagens policiais, e a foca Paula Akemi, formando então, uma interação entre o “jornalismo de bloquinho” e o “jornalismo da internet”; onde, em certo ponto, o “jornalismo de bloquinho”, mais experiente, sai “ganhando”.


O Profissão Repórter se caracteriza por um jornalismo documental, não há uma preocupação especial em esconder as cameras, microfones ou luzes, o que acaba por aproximar o espectador do programa, em um caráter didático. Nesta edição, o Profissão Repórter usa (como sempre) e abusa da dramaticidade e da tensão nas cenas. Por vez, ocorre até mesmo um certo excesso quando, em uma investigação de assassinato, a equipe filma e grava o depoimento de um homem que está sentado, estático, ao lado do corpo do filho, coberto pela Polícia Militar.

O quadro de Valmir e Paula é o que inícia e finaliza o programa, marca registrada da série. Entetanto, neste ponto, levanta-se uma questão: a importância dada ao crime, na época, se dá pela brutalidade ou pela classe social a que pertence as vítimas? Com o decorrer da edição é visível que a importância dada pela mídia se baseia por questões sociais, uma vez que, em outras crimes brutais mostrados pelo episódio, o que mais teve importância, tanto pela mídia quanto pela polícia, foi o assassinato de um casal de classe média, o “Caso da Rua Cuba”, mesmo este perdendo em nível de violência para outros.

Em certa parte do programa, dois jornalistas em aprendizagem no programa vão em busca de uma mãe que teve o filho assassinado. Nesta hora, há uma jogada maliciosa, mas que não denuncia o programa, mas sim, os meios de obtenção de informação que o jornalismo se utiliza. A repórter vai até a mulher, sem câmera, mas com um microfone de lapela, com a premissa de não intimidá-la. O que parece, por fim, é que a jogada teve como pretexto obter qualquer informação sem a utilização de um microfone, mas que fosse verídica o suficiente para a utilização.

Por fim, o programa ainda se utilizando da dramaticidade, mostra a banalização da morte ao mostrar diversas crianças ao lado de um corpo coberto, o que traz o programa para dentro da casa dos espectadores em uma espécie de “e se fosse o seu filho que visse isso?”. O encerramento do programa é com uma tentativa frustrada, porém de muitas tentativas, de se entrevistar o principal suspeito de ser o assassino do casal da Rua Cuba, o filho Jorge Bouchabki. Uma semana antes, o irmão de Jorge, Marcelo Bouchabki tentou, sem sucesso, impedir que o programa fosse ao ar, a partir de uma liminar, o que propicia a deixa para o fim do programa com a seguinte frase, retirada da sentença final sobre a liminar: “há muito a constituição federal proíbe a censura, ainda mais se feita previamente (...)”.

No Twitter:
@sagapolicial Investigação Policial no Profissão Repórter http://concursopolicial.blogspot.com/2011/05/investigacao-policial-no-profissao.html
@Philippe_mf Assistindo Profissão Repórter; sobre investigação criminal. Muito bom! http://tinyurl.com/3lfzdd3
Lincon Zarbietti

Sobre meninos e sapos


Fantástico - 15/05/2011
Escolas públicas oferecem aos alunos merenda estragada


No último domingo (08), o Fantástico exibiu durante 18 minutos uma reportagem especial sobre a qualidade da merenda escolar distribuída em mais de 50 escolas públicas em todo o país. O foco da reportagem era a prestação de serviço, sob forma de denúncia. O formato levou até o telespectador o estereótipo da corrupção eminente no país e que atinge a maioria da população que possui filhos em idade escolar. Saúde pública e desvios de verbas emergem em destaque na reportagem em tom burocrático, sensacionalista e fulminante. Nada tão incomum e obstinado de interesse público.

A equipe do Fantástico percorreu durante um mês inteiro cinco estados: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. Em todos os lugares, os repórteres sempre se apresentaram como jornalistas, o que agrega um caráter um tanto ético no exercício de investigação. Porém, os jornalistas usaram o recurso da câmera escondida para agregar informação com um forte apelo visual. Nesse caso, a acusação contra a escola que degradava materiais usados na merenda escolar era grave, e estava amparada pela Controladoria Geral da União, que ajuda na fiscalização do dinheiro usado pelas prefeituras de cada cidade citada. Os repórteres tinham em mãos um material suficiente para confecção de uma reportagem convencional - fotografias tiradas pelos fiscais da Controladoria. Usar a câmera escondida foi uma opção puramente estética, e altamente necessária para espetacularização da informação noticiosa. Afinal, jornalismo investigativo de verdade exige empenho, experiência, tempo e verba, e nem sempre rende boas imagens. Os sapos e foco de baratas que a equipe do Fantástico não achou em suas visitas foram trocadas pelas imagens de terceiros. Nesse sentido, a realidade que os fiscais da Controladoria encontraram eram mais alardiosas do que a apresentada pelos repórteres à equipe de edição do programa.

As denúncias de corrupção e o retrato fiel da realidade encontrada nas escolas municipais e estaduais tiveram respaldo nos depoimentos do Ministério Público de São Paulo que, depois de três anos de investigações, acusa seis empresas de participar da máfia da merenda. Na verdade, o que é visto no ar é uma confusão em saber de quem é a culpa: do governo que não manda verba, dos prefeitos que desviam essa verba, das empresas terceirizadas que pagavam propina para as prefeituras, ou das próprias escolas que tratam com descaso a situação, seja pelo desperdício e/ou pela má gestão dos recursos. Entende-se “descaso” como mais uma forma de corrupção entre tantas outras encontradas em todos os setores controlados pelo Estado. A situação caótica é vista pelo ângulo da indignação, da identificação e do apelo emocional em que os telespectadores imergem na situação apresentada no vídeo. “Fome” e “criança” são ótimos atrativos na vitrine dominical da televisão brasileira, e nem de longe isso representa a realidade da gestão educacional de modo geral.

A reportagem afirma que em 2011 o governo federal repassará às escolas públicas R$ 3 bilhões de reais para atender 45 milhões de alunos. Isso quer dizer R$ 0,30 para cada refeição. O que o Fantástico não percebeu é que, em um trecho da reportagem, a nutricionista convidada sugere um cardápio simples para uma alimentação ideal dos alunos que gira em torno de R$ 0,70 por refeição. Isso implica dizer que o governo deveria investir entre 6 e 8 bilhões de reais para a alimentação escolar. O alerta é pairado no ar, e a principal solução nesse caso seria o investimento em fiscalização. Investimento esse bem menor do que dobrar a verba para entregar aos alunos o mínimo de qualidade em um prato de comida. Esse sapo é que não dá para engolir.

No Youtube:
http://youtu.be/l3oU1DWpKDg

No Twitter:
@betogandu no Brasil as denuncias só tomam pé qdo o Fantastico denuncia..esta da Merenda escolar tá na cara de todos e ninguem comentava antes..
@wylber1 Aqui em Aparecida de Goiânia, em algumas escolas estaduais a realidade da merenda escolar não é muito diferente da mostrada pelo fantastico.
@erreoliveira Vereadores da Paraíba pediram impeachment do prefeito depois da denúncia sobre a merenda escolar mostrada no Fantástico.

Leandro Sena

Preconceitos, mitos e tabus


A Liga - (17/08/2010)
Discriminação e Preconceito

“Ninguém nasce preconceituoso. O preconceito é uma construção da sociedade”, essas são as palavras do professor de sociologia Gustavo Venturi, que durante o programa A Liga discute o tema que ainda é um tabu na sociedade brasileira. Nesta edição do programa, Rafinha Bastos, Rosanne Mulholland, Thaíde e Debora Vilalba trazem para a TV aberta situações que todos conhecem, mas fazem questão de não aceitar, o preconceito. O soropositivo, a deficiente, a garota de programa, o casal homossexual do exército, enfim, pessoas que, não são assassinas, criminosos e nem corruptos, mas que mesmo assim são tratados de forma desigual.

No começo do programa é realizado o Focus Group, um teste onde 7 pessoas são julgadas por um grupo de aproximadamente 14 pessoas. Um a um eles eram julgados, o grupo maior deveria descobrir a profissão de cada um, o travesti foi taxado de garota de programa, quando era na verdade a dona de casa. O negro foi julgado como motorista, e era o médico. O artista de circo, uma aparência mais “caucasiana”, foi considerado médico, e o anão, um artista de circo, mal sabiam que ele era um advogado.

Este Focus Group foi apenas uma das maneiras usadas para evidencia o preconceito que será tratado durante todo o programa. Uma maneira fácil e rápida de ouvir a opinião de cada um, saber como o outro pensa e quais preconceitos estão escondidos em cada um.

É claro que o programa precisa de audiência, e essa audiência usa do sensacionalismo, com histórias dramáticas e fortes. Mas não vejo outra forma de tratar o assunto, senão como um problema social, assim como a pobreza e a violência. A intenção do programa não é mostrar famílias problemáticas e vidas depressivas, mas sim pessoas que lutaram contra o preconceito. O casal homossexual que foi expulso do exército também foi entrevistado e toda a batalha interna. Leia-se interna como algo dentro das forças militares, e principalmente, internamente em cada um dos dois. Para Laci, um dos envolvidos, a maior dificuldade é a aceitação pessoal, assumir para você mesmo que você é gay. Entender que enfrentará preconceitos, discriminações e pré julgamentos, de pessoas que não sabem nem o seu nome.

É revoltante ver que o preconceito é geralmente causado pela falta de conhecimento. O programa usa informações legais, no sentido da lei, científicas e sociais, dados importantes para reconhecermos a situação real no Brasil. Entrevistados no programa ainda acham que um abraço pode se contrair o vírus da AIDS, outros insistem em dizer que não são racistas ou preconceituosos. Falando por mim, todos somos preconceituosos, temos nossos medos e receios, não adianta insistir no outro lado.

O programa ainda mostra o caso de um expert em comunicação que sempre trabalhou em multinacionais, que foi demitido por assumir à empresa que era portador de HIV. Mostra ainda um negro que foi confundido com ladrão, tomou 2 tiros e os policiais alegaram que confundiram seu guarda chuva com um fuzil. Ainda nesta edição, 2 negros são proibidos de entrar em uma festa de luxo de São Paulo, enquanto 2 brancos recebem todo o apoio dos seguranças e funcionários. Ao final, mostra a história de Lívia, uma garota de 11 anos, carinhosa e inteligente, que não foi aceita em uma escola por ter síndrome de down.

A Liga usa a criação de situações para expor os preconceitos. A intenção do programa não é mostrar o sofrimento e a dor de quem sofre estes preconceitos, mas mostrar ao povo brasileiro que por mais que escondam ou digam que o Brasil não é preconceituoso, somos amigáveis, o preconceito existe e está mais presente do que você possa imaginar.

Eduardo Guimarães

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Maior abandonado

Profissão Repórter – (03/05/2011)
Bebês abandonados


O “Profissão Repórter” da noite de 03 de maio trouxe ao público um assunto comovente, motivado pelo caso da bebê, recém-nascida, abandonada pela mãe em uma caçamba de lixo em Praia Grande. O programa se desenvolve focando em alguns casos de bebês abandonados, o primeiro em um quintal de uma casa e o segundo, no banheiro de um hospital. Para tanto, os repórteres, focas sob a supervisão do experiente Caco Barcellos, se apóiam nas buscas das mães, auxiliados por delegados, conselheiros tutelares e investigadores. A cobertura ocorre antes e durante as averiguações dos episódios.

É interessante ressaltar a crítica que o programa faz ao próprio processo, quando enfatiza o “cerco dos repórteres” e toma uma posição que visa se aproximar mais das mães, mulheres acuadas e com medo, deixando de lado o furo de reportagem, mas prezando por uma conversa mais calma, em um momento de menos estresse. Um ponto negativo é elitismo da Globo na maioria das cenas e exclusivas. Em uma parte, o repórter e cinegrafista da emissora consegue acompanhar, exclusivamente, os conselheiros tutelares de dentro do veículo, no qual levam um bebê que será entregue à tia; enquanto as outras emissoras aparecem como vilãs, ao sobrecarregar a entrevistada com perguntas e flashes.

No decorrer do programa, os repórteres acompanham um dia-a-dia em um abrigo, o que aproxima o espectador da reportagem, colocando pessoas comuns, fora da mídia, que fazem um trabalho de grande comoção e importância. Além disso, a reportagem apresenta uma entrevista entre uma conselheira tutelar e uma mãe que abandonou o filho, ponto alto do programa, que, por veredicto, não poderá ter a guarda do bebê. Um ponto positivo desta parte foi escalar uma repórter grávida para fazer uma matéria para este programa, criando uma espécie de metalinguagem.

Por fim, o programa cria uma análise social mais profunda, quando analise os meninos de rua, que fugiram de casa e se entregaram às drogas, e os voluntários que saem uma vez por mês, pelas madrugadas paulistanas, para tentar recolher jovens para seus abrigos. É nesta hora que se dá o fechamento, não só temporal, como sintético da reportagem: São os menores que são abandonados ou os maiores que estão abandonados, sem alicerces sociais e desestabilizados emocionalmente e socialmente?

No Youtube:

Lincon Zarbietti

terça-feira, 3 de maio de 2011

APRESENTAÇÃO > Dispositivo de resposta aos meios

Conceito >
O dispositivo que criamos tem como base o centro de sensibilização crítica e ética de três produtos culturais da televisão brasileira: Fantástico, A Liga e Profissão Repórter. Cabe a esses programas a função de entreter e levar ao espectador um conteúdo diferenciado, sob a forma de denúncia ou não. O nosso trabalho é o de construir um imperativo que seja capaz de sensibilizar e propor discussões que talvez os próprios programas não se proponham a fazer.

Parâmetros de trabalho >
Para produzirmos uma reflexão crítica direcionada aos meios de comunicação vigentes, vamos utilizar os parâmetros da ética jornalística, como difusor de uma democracia. Dessa forma, uma das maiores quebras éticas atuais na televisão brasileira resulta da tendência à concentração da propriedade dos meios de comunicação e de sua manipulação por parte de grupos privados. Nossa intenção não é expor esses grupos, e sim mostrar que a imparcialidade que o jornalismo prega nem sempre é utilizado na prática, nesse caso, por influência de números de audiência – e consequentemente cota publicitária e rendimentos da empresa que o programa é produzido. A ética no jornalismo se insere no quadro geral de serviços a serem prestados pelo nosso dispositivo, sob variadas temáticas dos programas. A presente reflexão tem duplo alcance: estuda o caso particular do jornalismo, mas também se apresenta como metáfora para outras áreas do conhecimento e do ensino, pois todas elas passam pelos mesmos processos que compõem a dissipação da informação na sociedade. Julgamos esses critérios de análise relevantes para a construção de um olhar sensível e carregado de abordagem crítica.

Etapas e processamento >
O dispositivo pretende desenvolver atividades toda semana, com análise dos três produtos midiáticos por cada aluno diretamente participante. Os principais conceitos utilizados para o exercício da Ética Jornalística serão usados, na absorção de valores e aplicação de questionamentos pertinentes sobre as ações levantadas pelos caminhos que os produtos midiáticos se propõe a abordar. A partir da análise e da interpretação, vamos direcionar para a observação através dos parâmetros estabelecidos, apontar erros, sugerir posicionamentos, e assim levantar todo um ciclo de notícia, dissipação e recepção social.

O blog vai atuar para levar os assuntos tratados nos programas jornalísticos até o leitor, numa análise que precede a imparcialidade, e também como uma plataforma crítica onde todos – estudantes de jornalismo, professores envolvidos e público em geral - vão enviar suas sugestões e comentários também críticos. Além disso, usaremos a pluralidade de opiniões através da reprodução de twittes relevantes no horário em que o programa estava ao ar, de forma a agregar informação e levar até o público receptor a divergência de analises culturais, mesmo por pessoas que não detém conhecimento sobre processos e produções jornalísticas. Disponibilizaremos também o programa na íntegra pela plataforma do Youtube. Com isso, o leitor pode verificar por si só as angulações utilizadas pelo programa, e estabelecer uma opinião mais autoral para compartilhar e contribuir para a nossa análise crítica.

Relevância >
A importância social desse projeto é sensibilizar o olhar e a absorção diante das temáticas exploradas pelos três programas envolvidos. Incentivamos o pensamento crítico quando propomos outras formas de abordagem do tema, ou dissecamos o formato utilizado de forma a agregar relevância na exposição televisiva de conteúdos muitas vezes negligentes. É assim que propomos uma resposta social, pelo incentivo e entrega de um poder que muitas vezes os telespectadores sequer sabem que possuem: o poder de influenciar a produção de conteúdos responsáveis de seu papel modificador.

Eduardo Guimarães, Leandro Sena e Lincon Zarbietti
Universidade Federal de Ouro Preto
Comunicação Social - Jornalismo
Crítica de Mídia
2011