quarta-feira, 18 de maio de 2011

A banalização da morte

Profissão Repórter – (17/05/2011)
Investigações Policiais


O Profissão Repórter do dia 17 de maio abordou e acompanhou o dia-a-dia das investigações policiais de homicídio em São Paulo e as ações de uma força-tarefa de Recife, uma das cidades mais violentas do país, criada a fim de dinamizar as investigações. Em São Paulo, Caco Barcellos acompanha o experiente repórter Valmir Salaro, que tem mais de 25 anos de reportagens policiais, e a foca Paula Akemi, formando então, uma interação entre o “jornalismo de bloquinho” e o “jornalismo da internet”; onde, em certo ponto, o “jornalismo de bloquinho”, mais experiente, sai “ganhando”.


O Profissão Repórter se caracteriza por um jornalismo documental, não há uma preocupação especial em esconder as cameras, microfones ou luzes, o que acaba por aproximar o espectador do programa, em um caráter didático. Nesta edição, o Profissão Repórter usa (como sempre) e abusa da dramaticidade e da tensão nas cenas. Por vez, ocorre até mesmo um certo excesso quando, em uma investigação de assassinato, a equipe filma e grava o depoimento de um homem que está sentado, estático, ao lado do corpo do filho, coberto pela Polícia Militar.

O quadro de Valmir e Paula é o que inícia e finaliza o programa, marca registrada da série. Entetanto, neste ponto, levanta-se uma questão: a importância dada ao crime, na época, se dá pela brutalidade ou pela classe social a que pertence as vítimas? Com o decorrer da edição é visível que a importância dada pela mídia se baseia por questões sociais, uma vez que, em outras crimes brutais mostrados pelo episódio, o que mais teve importância, tanto pela mídia quanto pela polícia, foi o assassinato de um casal de classe média, o “Caso da Rua Cuba”, mesmo este perdendo em nível de violência para outros.

Em certa parte do programa, dois jornalistas em aprendizagem no programa vão em busca de uma mãe que teve o filho assassinado. Nesta hora, há uma jogada maliciosa, mas que não denuncia o programa, mas sim, os meios de obtenção de informação que o jornalismo se utiliza. A repórter vai até a mulher, sem câmera, mas com um microfone de lapela, com a premissa de não intimidá-la. O que parece, por fim, é que a jogada teve como pretexto obter qualquer informação sem a utilização de um microfone, mas que fosse verídica o suficiente para a utilização.

Por fim, o programa ainda se utilizando da dramaticidade, mostra a banalização da morte ao mostrar diversas crianças ao lado de um corpo coberto, o que traz o programa para dentro da casa dos espectadores em uma espécie de “e se fosse o seu filho que visse isso?”. O encerramento do programa é com uma tentativa frustrada, porém de muitas tentativas, de se entrevistar o principal suspeito de ser o assassino do casal da Rua Cuba, o filho Jorge Bouchabki. Uma semana antes, o irmão de Jorge, Marcelo Bouchabki tentou, sem sucesso, impedir que o programa fosse ao ar, a partir de uma liminar, o que propicia a deixa para o fim do programa com a seguinte frase, retirada da sentença final sobre a liminar: “há muito a constituição federal proíbe a censura, ainda mais se feita previamente (...)”.

No Twitter:
@sagapolicial Investigação Policial no Profissão Repórter http://concursopolicial.blogspot.com/2011/05/investigacao-policial-no-profissao.html
@Philippe_mf Assistindo Profissão Repórter; sobre investigação criminal. Muito bom! http://tinyurl.com/3lfzdd3
Lincon Zarbietti

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