quarta-feira, 25 de maio de 2011

De qual liberdade estamos falando?

A Liga - (24/05/2011)
Liberdades Individuais

Apenas para informações técnicas, o programa A Liga é exibido todas as terças à partir das 22h15, na BAND, e como diz o próprio texto de resumo do programa, disponível em seu site:

Para contar uma história sob a perspectiva de quem a vive só há um jeito, ir ao encontro dela. Comum seria não interferir e normal, nada sentir, não vivenciar. Mas não é isso que querem os apresentadores do programa. Eles tocam na realidade, olham de perto. Ao Participarem de um mundo do qual nunca fizeram parte, a indiferença vai embora. A cada passo, o envolvimento do repórter - assim como a do telespectador - aumenta. Entram em cena a surpresa, a indignação, a reflexão e a opinião.


Esse é um dos principais métodos que diferencia o programa dos demais 'produtos jornalísticos' da Tv brasileira, a linguagem dinâmica e objetiva. Talvez por ser um programa produzido por pessoas mais jovens, e inicialmente pensado também para pessoas mais jovens. Assim, a simplicidade na maneira de tratar e transmitir as suas ideias tornam o programa mais leve, mesmo quando levam à sociedade temas mais pesados.


Nesta terça-feira, 24, o programa trouxe para a casa do telespectador mais uma série de temas polêmicos, legalização do aborto, legalização da maconha e o casamento gay. Resumindo, as nossas liberdades individuais. Mas será que temos nossa liberdade individual? O que é essa liberdade individual debatida no programa?

Rafinha Bastos, Sophia Reis, Thaide e Debora Vilalba foram atrás de pessoas que pudessem nos falar um pouco mais sobre o casamento gay, Toninho e David (que antes de iniciar o relacionamento de 21 anos com seu atual parceira, estava casado há 10, com uma mulher), trouxeram para o público as dificuldades que homossexuais enfrentam para conseguir adotar uma criança até as dificuldades de colocar o parceiro como dependente no Imposto de Renda. Jean Willys, professor, deputado e militante da causa também deu seu parecer à favor da união, sempre com o embasamento legal, no sentido da lei, para mostrar que pequenas palavras que acabam trazendo essas complicações.

Complicações que se tornam complicações de saúde pública em outro tema tratado no programa, a legalização do aborto. O programa mostrou o caso de Adriana, uma jovem que ao se envolver com um homem casado foi obrigada, pelo amante, à abortar a criança, aos 4 meses de gestação. Ao procurar uma clinica clandestina para efetuar o serviço, surgiu algumas dores e foi atrás de um hospital público. O médico descobriu então que injetaram na veia, e em seu órgão genital, doses de algumas substância que seria chumbinho ou formol. Casos como esses da Adriana acontecem diariamente, mas não é essa a intenção do programa, de saturar a mente do ouvinte com sensacionalismo barato, a intenção, como eles mesmos dizem, é a reflexão. "Será que uma mulher pode ter o direito de tomar as decisões sobre o seu corpo, ou a decisão deve ser do Estado?"

Talvez a ética jornalística seja deixada de lado, ao se distanciar do acontecimento e tratar da forma mais imparcial possível. A intenção do programa é entrar a fundo na história, não deixando de ser imparcial e tentando sempre mostrar os dois lados da moeda. O programa nos mostra visões diferenciadas em cada situação, desde o primeiro casal gay que foi ao cartório registrar a união, após decisão do STF, até senhores que repudiam esta situação, entre eles um que disse ainda que homossexuais mereciam morrer "para limpar o mundo". Acreditem, existem pessoas que pensam assim, só não assumem em rede nacional.



Entre os entrevistados, um grupo de mulheres da Igreja Católica, que durante o programa foi vista como vilã por alguns, criaram a ONG Catolicas Pelo Direito de Decidir, grupo que assim como todos que são a favor da legalização do aborto, não defendem a chacina aos fetos, mas tornar isso algo dentro das leis nacionais. Sempre mostrando os dois lados, também entrevistam aqueles que são contra a legalização, que alegam o medo do aborto virar a "casa da mãe joana".

Sobre a legalização da maconha, alguns entrevistados se mostram receosos com medo de todo mundo começar a usar e tornar má influência para crianças, por exemplo. Mas existem aqueles que se tornam a favor por fazer seu uso medicinal, como é o caso do José, que por mais de 20 anos usou a maconha para controlar os efeitos da asma, e por 13 para diminuir as complicações da AIDS, que acabou contraindo. Lobão, músico, critica a postura do governo de proibir a maconha, mas liberar o cigarro e a bebida, inclusive na televisão. Por outro lado, um consumidor de bebida alcoolica entender que os malefícios da maconha são piores que os da cerveja. Mas um terceiro entrevistado indaga "O que mata mais, a maconha ou o alcool?".

Uma discussão sadia que o programa se propões sempre mostrando os dois lados. Enfim, imparcialidade é o grande poder do jornalismo que A Liga leva ao público brasileiro. A intenção do programa não é ser sensacionalista, é chocar, sim, mas da maneira menos assustadora. Abrindo os olhos da sociedade, e mostrando que existem pessoas que pensam das diversas maneiras, e pode estar ao seu lado. Esta crítica não chega nem aos pés da necessidade que você tem de assistir ao programa. Os links estão logo abaixo.

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