
Fantástico – (22/05/2011)
Prefeituras desviam dinheiro de remédios para população
O Fantástico desse último domingo (22) mostrou em mais uma matéria investigativa o funcionamento de um esquema de corrupção envolvendo remédios e prefeituras de vários estados do Brasil. Mais uma vez, a intenção é denunciar, com os mesmos recursos utilizados na matéria sobre a merenda escolar: dramaticidade, construção de um parecer geral sobre o sistema público de saúde, e o uso de recursos um tanto ortodoxos para conseguir agregar veracidade à informação noticiosa: as câmeras-escondidas.
O dominical Fantástico da Rede Globo utiliza um padrão de reportagens que se configura por semelhanças entre si, na efetivação de conceitos e recursos visuais. Nessa reportagem em especial, vemos claramente o repasso de informações oficiais da polícia, e uma busca quase desesperada de obter informações exclusivas. O programa utilizou de uma investigação feita há mais de dois anos para reunir o maior número possível de depoimentos próprios e material de prova de terceiros para elaborar a reportagem, com base nos preceitos de investigação jornalística.
Contrariando quaisquer procedimentos éticos da profissão, o repórter Giovanni Grizotti chega ao ponto de se passar por um funcionário da prefeitura local para assim conseguir arrancar a confirmação da fraude pelas palavras do vendedor da cirúrgica Erechim, sede de outras distribuidoras de remédios no Sul do Brasil. O funcionário é coagido pelo repórter, com perguntas maliciosas, a fim de deixar o entrevistado à vontade para oferecer propina e propor um esquema de divisão de lucros pela fraude. O “flagra” ocorre em plena luz do dia, com imagens bem nítidas e um som perfeito. Tudo foi armado esteticamente para compor a abordagem, com a câmera instalada de forma a focar o vendedor mais próximo possível. O microfone provavelmente era de altíssima potência, para conseguir captar tão bem o que era falado na conversa entre os dois. Alguns dias depois, o vendedor é preso e, outro repórter da TV local, aborda-o no momento em que estava sendo levado pela polícia. O jornalista pergunta se ele tem algo a dizer, pois existe uma gravação que comprova sua ação em oferecer propina à um suposto funcionário da prefeitura. A questão é: houve autorização judicial para, uma empresa privada como a Rede Globo, forjar um flagrante para consolidar a denúncia? O jornalista aí usa um disfarce e ilude o funcionário da empresa envolvida, tal como faz com o público receptor: uma relação muitas vezes obscura na ótica do espectador do caso.
Os demais recursos utilizados na reportagem tornam-se comuns e rotineiros na construção de uma visão singular do acontecido. De forma geral, mais uma vez se emprega na estética do programa o recurso das câmeras escondidas para agregar informação ao trabalho jornalístico. Porém, nesse caso fica clara que a finalidade de seu uso não foi puramente estética, como no caso da merenda escolar, mas sim de ordem suplantada de sua função social: a de funcionar como guardiã da segurança e prezar pelo zelo do bom funcionamento dos recursos oriundos do Estado, quase como uma polícia. A situação mostrada se repete em todo país, e mais uma vez a reflexão deixada pela reportagem se perde no ar pela impunidade dos culpados e a falta de sugestões para que haja uma maior fiscalização e atendimento a todos que necessitam desses recursos. O que vemos é a exposição de maus exemplos, que só nos desperta um lamento irremediável – sob um preço bem alto, acima do mercado.
O dominical Fantástico da Rede Globo utiliza um padrão de reportagens que se configura por semelhanças entre si, na efetivação de conceitos e recursos visuais. Nessa reportagem em especial, vemos claramente o repasso de informações oficiais da polícia, e uma busca quase desesperada de obter informações exclusivas. O programa utilizou de uma investigação feita há mais de dois anos para reunir o maior número possível de depoimentos próprios e material de prova de terceiros para elaborar a reportagem, com base nos preceitos de investigação jornalística.
Contrariando quaisquer procedimentos éticos da profissão, o repórter Giovanni Grizotti chega ao ponto de se passar por um funcionário da prefeitura local para assim conseguir arrancar a confirmação da fraude pelas palavras do vendedor da cirúrgica Erechim, sede de outras distribuidoras de remédios no Sul do Brasil. O funcionário é coagido pelo repórter, com perguntas maliciosas, a fim de deixar o entrevistado à vontade para oferecer propina e propor um esquema de divisão de lucros pela fraude. O “flagra” ocorre em plena luz do dia, com imagens bem nítidas e um som perfeito. Tudo foi armado esteticamente para compor a abordagem, com a câmera instalada de forma a focar o vendedor mais próximo possível. O microfone provavelmente era de altíssima potência, para conseguir captar tão bem o que era falado na conversa entre os dois. Alguns dias depois, o vendedor é preso e, outro repórter da TV local, aborda-o no momento em que estava sendo levado pela polícia. O jornalista pergunta se ele tem algo a dizer, pois existe uma gravação que comprova sua ação em oferecer propina à um suposto funcionário da prefeitura. A questão é: houve autorização judicial para, uma empresa privada como a Rede Globo, forjar um flagrante para consolidar a denúncia? O jornalista aí usa um disfarce e ilude o funcionário da empresa envolvida, tal como faz com o público receptor: uma relação muitas vezes obscura na ótica do espectador do caso.
Os demais recursos utilizados na reportagem tornam-se comuns e rotineiros na construção de uma visão singular do acontecido. De forma geral, mais uma vez se emprega na estética do programa o recurso das câmeras escondidas para agregar informação ao trabalho jornalístico. Porém, nesse caso fica clara que a finalidade de seu uso não foi puramente estética, como no caso da merenda escolar, mas sim de ordem suplantada de sua função social: a de funcionar como guardiã da segurança e prezar pelo zelo do bom funcionamento dos recursos oriundos do Estado, quase como uma polícia. A situação mostrada se repete em todo país, e mais uma vez a reflexão deixada pela reportagem se perde no ar pela impunidade dos culpados e a falta de sugestões para que haja uma maior fiscalização e atendimento a todos que necessitam desses recursos. O que vemos é a exposição de maus exemplos, que só nos desperta um lamento irremediável – sob um preço bem alto, acima do mercado.
No Youtube:
http://youtu.be/caKYM5i6-ck
No Twitter:
@bill_marques Ninguem vai comentar sobre a Mafia dos Remedios aki em #portovelho! Materia do Fantástico...ou Pvh so tem festa!
@J_lucaz Luis Alves no fantástico! A cidade onde eu nasci sendo lugar de corrupção. Farmacêuticos vendem remédios que deveriam ser de graça.#vergonha
@soavinski Que nojo senti pela denuncia dos corruptos envolvidos com a Máfia dos Remédios domingo no Fantástico na Rede Globo.Prisão é pouco
@sitedocorrea A face da desesperança daquela senhora mostrada pelo Fantástico, vai povoar os pesadelos de auem roubou dnheiro dos remédios dos pobres
Leandro Sena
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