quarta-feira, 18 de maio de 2011

Preconceitos, mitos e tabus


A Liga - (17/08/2010)
Discriminação e Preconceito

“Ninguém nasce preconceituoso. O preconceito é uma construção da sociedade”, essas são as palavras do professor de sociologia Gustavo Venturi, que durante o programa A Liga discute o tema que ainda é um tabu na sociedade brasileira. Nesta edição do programa, Rafinha Bastos, Rosanne Mulholland, Thaíde e Debora Vilalba trazem para a TV aberta situações que todos conhecem, mas fazem questão de não aceitar, o preconceito. O soropositivo, a deficiente, a garota de programa, o casal homossexual do exército, enfim, pessoas que, não são assassinas, criminosos e nem corruptos, mas que mesmo assim são tratados de forma desigual.

No começo do programa é realizado o Focus Group, um teste onde 7 pessoas são julgadas por um grupo de aproximadamente 14 pessoas. Um a um eles eram julgados, o grupo maior deveria descobrir a profissão de cada um, o travesti foi taxado de garota de programa, quando era na verdade a dona de casa. O negro foi julgado como motorista, e era o médico. O artista de circo, uma aparência mais “caucasiana”, foi considerado médico, e o anão, um artista de circo, mal sabiam que ele era um advogado.

Este Focus Group foi apenas uma das maneiras usadas para evidencia o preconceito que será tratado durante todo o programa. Uma maneira fácil e rápida de ouvir a opinião de cada um, saber como o outro pensa e quais preconceitos estão escondidos em cada um.

É claro que o programa precisa de audiência, e essa audiência usa do sensacionalismo, com histórias dramáticas e fortes. Mas não vejo outra forma de tratar o assunto, senão como um problema social, assim como a pobreza e a violência. A intenção do programa não é mostrar famílias problemáticas e vidas depressivas, mas sim pessoas que lutaram contra o preconceito. O casal homossexual que foi expulso do exército também foi entrevistado e toda a batalha interna. Leia-se interna como algo dentro das forças militares, e principalmente, internamente em cada um dos dois. Para Laci, um dos envolvidos, a maior dificuldade é a aceitação pessoal, assumir para você mesmo que você é gay. Entender que enfrentará preconceitos, discriminações e pré julgamentos, de pessoas que não sabem nem o seu nome.

É revoltante ver que o preconceito é geralmente causado pela falta de conhecimento. O programa usa informações legais, no sentido da lei, científicas e sociais, dados importantes para reconhecermos a situação real no Brasil. Entrevistados no programa ainda acham que um abraço pode se contrair o vírus da AIDS, outros insistem em dizer que não são racistas ou preconceituosos. Falando por mim, todos somos preconceituosos, temos nossos medos e receios, não adianta insistir no outro lado.

O programa ainda mostra o caso de um expert em comunicação que sempre trabalhou em multinacionais, que foi demitido por assumir à empresa que era portador de HIV. Mostra ainda um negro que foi confundido com ladrão, tomou 2 tiros e os policiais alegaram que confundiram seu guarda chuva com um fuzil. Ainda nesta edição, 2 negros são proibidos de entrar em uma festa de luxo de São Paulo, enquanto 2 brancos recebem todo o apoio dos seguranças e funcionários. Ao final, mostra a história de Lívia, uma garota de 11 anos, carinhosa e inteligente, que não foi aceita em uma escola por ter síndrome de down.

A Liga usa a criação de situações para expor os preconceitos. A intenção do programa não é mostrar o sofrimento e a dor de quem sofre estes preconceitos, mas mostrar ao povo brasileiro que por mais que escondam ou digam que o Brasil não é preconceituoso, somos amigáveis, o preconceito existe e está mais presente do que você possa imaginar.

Eduardo Guimarães

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