quarta-feira, 4 de maio de 2011

Maior abandonado

Profissão Repórter – (03/05/2011)
Bebês abandonados


O “Profissão Repórter” da noite de 03 de maio trouxe ao público um assunto comovente, motivado pelo caso da bebê, recém-nascida, abandonada pela mãe em uma caçamba de lixo em Praia Grande. O programa se desenvolve focando em alguns casos de bebês abandonados, o primeiro em um quintal de uma casa e o segundo, no banheiro de um hospital. Para tanto, os repórteres, focas sob a supervisão do experiente Caco Barcellos, se apóiam nas buscas das mães, auxiliados por delegados, conselheiros tutelares e investigadores. A cobertura ocorre antes e durante as averiguações dos episódios.

É interessante ressaltar a crítica que o programa faz ao próprio processo, quando enfatiza o “cerco dos repórteres” e toma uma posição que visa se aproximar mais das mães, mulheres acuadas e com medo, deixando de lado o furo de reportagem, mas prezando por uma conversa mais calma, em um momento de menos estresse. Um ponto negativo é elitismo da Globo na maioria das cenas e exclusivas. Em uma parte, o repórter e cinegrafista da emissora consegue acompanhar, exclusivamente, os conselheiros tutelares de dentro do veículo, no qual levam um bebê que será entregue à tia; enquanto as outras emissoras aparecem como vilãs, ao sobrecarregar a entrevistada com perguntas e flashes.

No decorrer do programa, os repórteres acompanham um dia-a-dia em um abrigo, o que aproxima o espectador da reportagem, colocando pessoas comuns, fora da mídia, que fazem um trabalho de grande comoção e importância. Além disso, a reportagem apresenta uma entrevista entre uma conselheira tutelar e uma mãe que abandonou o filho, ponto alto do programa, que, por veredicto, não poderá ter a guarda do bebê. Um ponto positivo desta parte foi escalar uma repórter grávida para fazer uma matéria para este programa, criando uma espécie de metalinguagem.

Por fim, o programa cria uma análise social mais profunda, quando analise os meninos de rua, que fugiram de casa e se entregaram às drogas, e os voluntários que saem uma vez por mês, pelas madrugadas paulistanas, para tentar recolher jovens para seus abrigos. É nesta hora que se dá o fechamento, não só temporal, como sintético da reportagem: São os menores que são abandonados ou os maiores que estão abandonados, sem alicerces sociais e desestabilizados emocionalmente e socialmente?

No Youtube:

Lincon Zarbietti

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